Amélie Poulain é o meu refúgio em dias tristes. E confesso ter fugido para o seu mundo muitas vezes nessas últimas semanas, e que vou fugir sempre que precisar redescobrir as pequenas felicidades da vida.

Por isso bateu-me a vontade de escrever sobre esse espetacular filme lançado há 10 anos, mas que é atemporal e conversa com os corações de todas as pessoas em todas as épocas.

Como diz o narrador do filme, Amélie é filha de “um refrigerador e uma neurótica”, e assim passou por uma infância incomum. Seu pai era médico, uma pessoa tão fria e avessa a carinhos que o único toque que estabelecia com a filha era através do estetoscópio. Por esse motivo Amélie foi diagnosticada com uma anomalia cardíaca, pois sempre que recebia esse raro toque de seu pai, seu coração disparava de emoção.

Então, devido ao problema de saúde, que nada mais era do que carência afetiva, a menina foi privada de ter contato com outras crianças, sendo alfabetizada pela própria mãe, que veio a falecer deixando Amélie ainda mais solitária no mundo, pois nem mesmo o peixinho dourado da família sobreviveu ao estado nervoso dos Poulain e, deprimido, tentou se matar por diversas vezes.

Mas de certa forma, a morte da mãe representou a libertação de Amélie, que aprendeu aos poucos a apreciar os pequenos prazeres da vida. Na realidade, minúsculos, pois para uma criança privada de qualquer contato humano, as coisas preferidas tornaram-se mergulhar as mãos em sacos de cereal (algo que eu também amo!), quebrar a crosta açucarada do crème brûlée com a colher e atirar pedrinhas na água para vê-las ricochetear.

E, descobrindo a vida, Amélie muda-se do subúrbio para o bairro parisiense de Montmartre, onde começou a trabalhar como garçonete e logo conheceu sua verdadeira vocação: promover a felicidade alheia. E certamente com esse filme a vocação de Amélie está salvaguardada para toda a eternidade.

Se você ainda não assistiu ao filme, assista. E aprenda a olhar o mundo e a sua vida através de outros olhos! Os grandes e apaixonados olhos de Audrey Tatou, que deram vida à Amélie Poulain e, indiretamente, à mim nos dias mais tristes.

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Beijos, Mari Espada.