Primeiro dia de aula, uma quarta-feira fria, mamãe e papai acompanharam o pequeno no Kita para levar seus pertences e tornar o ambiente mais familiar. Ao chegarmos, as crianças menores pareciam um enxame de abelhas em torno do Arthur, todas curiosas com o novo membro do grupo. Já as maiores, continuaram correndo como se nada tivesse acontecido. Ficamos lá por 1 hora e o Arthur explorou bem o ambiente.

Já no segundo dia ele chegou com medo… Ele pedia meu colo e proteção como eu nunca tinha visto na vida. Escondia a cabeça entre minhas pernas e devia pensar “eu não tô aqui, eu não tô aqui, quando eu olhar denovo estarei em casa”. Mas aos poucos ele foi se soltando e quando encontrou uma sujeirinha no chão ( ! ), agarrou nela, e se libertou para explorar o Kita novamente.

Já na segunda semana frequentamos o Kita de segunda a quinta por 2 horas, o que incluiu a hora do almoço. Nos dois primeiros dias eu fiquei com ele por todo esse tempo, e nos dois últimos ele ficou comigo apenas por 30 minutos e depois ficou sozinho como um meninão. Porém em todos esses dias ele se recusou a comer no Kita, e mais pro final da semana começou a fazer “greve de fome” em casa também. Minha cunhada e madrinha do Arthur (que é pedagoga) falou que esse comportamento é previsto em momentos de grandes mudanças na vida da criança, mas de toda forma eu fiquei preocupada porque o Arthur sempre foi muito comilão – como eu já contei aqui: Comer comer!

Além disso, no Kita eles servem uma comida diferente do que ele está acostumado, em um novo ambiente, numa outra mesa e cadeira, com a presença de mais crianças e muitas coisas interessantes para olhar e fuçar. Assim a fome fica mesmo em segundo plano, até que ele se acostume com tanta novidade.

Possivelmente a mesma dificuldade vai ocorrer na hora da soneca, quando for o momento dele também passar a tarde no Kita. E por esse motivo, a princípio não estou levando ele para o Kita de bicicleta (como eu gostaria), pois os educadores podem precisar usar o carrinho dele para dar uma voltinha no quarteirão e fazê-lo dormir. Além disso o carrinho também favorece o retorno para casa, porque ele sai do Kita logo após o almoço, quando já está estressado de sono, e muitas vezes acaba dormindo no caminho. E toca eu subir uns 30 degraus de escada com ele dormindo no carrinho, depois de já ter caminhado mais de 40 minutos no total do dia (quem disse que eu não faço academia?).

Por essas e por outras a adaptação é cansativa para o bebê e também para a mamãe. É muito cansaço físico e psicológico! Tanto que ao final da segunda semana nós dois ficamos doentes, e infelizmente isso nos rendeu 2 faltas (até o momento…), o que atrapalha um pouco o processo de adaptação. Mas faz parte! Pelo menos o meu emocional até que está bom, viu? Realmente não sou do tipo de mãe que chora pra deixar o filho sozinho, mas claramente a confiança que os educadores me passam faz muita diferença nisso.

De toda forma, confesso que eu preferia não ter uma participação tão ativa na adaptação. Sem dúvida a presença da mãe é muito boa para o bebê, mas muito difícil para a mãe. É exaustivo passar o dia fora, é sofrido ver algumas coisas no Kita (as crianças são más!), é duro passar horas no frio de Berlim, e depois de tudo isso ainda ter a casa toda para cuidar e a rotina do filho para ajustar!

Mas nós vamos sobreviver! E eu vou voltar para contar a história. 😉

Mari.

Atualização

Nem toda história tem um final feliz. Infelizmente esse Kita não deu certo!

Para saber mais, leia esse texto:

Perigos no Kita (terceira semana e nunca mais!)