Hoje fui no primeiro Mercado de Natal dessa temporada. Fui após escurecer, no primeiro fim de semana de sua abertura, e por isso estava um caos de tanta gente. Arthur berrava e queria fugir, até que encontramos um espaço mais vazio e com alguns pontos de interesse para ele: luzes, música, escada…

Somente assim sua mente se acalmou e ele finalmente percebeu a presença da sua amiga. E então foi tudo perfeito! Com algumas tentativas de fuga e de abrir portas proibidas, claro… Mas foi uma noite feliz.

Arthur correu, brincou, dividiu uma Bratwurst, pegou na mão e deu um beijinho na sua amiga. Isso é algo realmente especial, que ele só faz com essa amiga e outro amigo do Kita.

Sua amiga estava com dois priminhos vindos do Brasil, um deles com 4 anos. E esse menino me ofereceu um diálogo intenso, que talvez só seja verdadeiramente compreendido por uma mãe de autista:

Menino: “Eu tenho 4 anos, sou o mais velho”
Eu: “O Arthur tem mais de 3 anos e meio”
Menino: “Nossa, eu achei que ele tinha 2 anos e meio, ele não fala”. “Ele nem perguntou o meu nome”
Eu: “Mas ele sabe, e está gostando de brincar com você”. “Ele gosta muito de portas”
Menino: “Eu não gosto de portas”
Eu: “Pois é”

Eu não tenho muito contato direto com crianças, por causa do idioma. Então são oportunidades assim que me fazem perceber os atrasos de comunicação e sociabilização do Arthur. E isso me dá forças pra continuar trabalhando pelo seu desenvolvimento.

Amanhã tem terapia. É um daqueles dias super cansativos pra mim, quando eu queria poder levar o Arthur direto pro Kita, e voltar pra casa pra arrumar a cozinha, limpar os móveis, estudar alemão e fazer mercado. Mas eu não tenho nem 2 horinhas pra tudo isso.

Então sim, eu sempre preciso de forças para continuar. E hoje um menino de 4 anos garantiu que eu me mantivesse focada.

Mari Espada.